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São Hell Guys: rock, poesia e fé na humanidade por um mundo melhor

Banda originária de São Leopoldo põe na roda quatro canções autorais enquanto prepara em estúdio repertório de seu primeiro álbum.

Por Cristiano Bastos*

Do economicamente pujante e culturalmente verdejante Vale dos Sinos, na região metropolitana de Porto Alegre, vem o power trio de sugestivo nome: São Hell Guys. O grupo alista na linha de frente de sua formação o contrabaixista Old Velho e o guitarrista Fabiano (respectivamente pai e filho) mais o baterista Renê Santos. Já o espirituoso nome "São Hell Guys" alude à forma “carinhosa” pela qual a roqueira cidade de São Leopoldo (berço de grupos como Blanched e Viana moog) é chamada intimamente por alguns de seus moradores .

Fundada em Junho de 2023, a São Hell Guys professa sonoramente em seu estilo musical influências advindas do punk e do rock alternativo das mais distintas vertentes. As origens da banda, por sua vez, remontam ao ano de 1992, em plena explosão mundial do grunge, quando Old Velho integrou o line-up da banda Rosa Atômica. Posteriormente, em 1996, montou o grupo Ecstasy, o qual teve a duração de um ano.

“São Hell Guys é para mim um oxigênio que possibilita realizar sons onde posso expressar pensamentos que compartilhados trazem auto-reflexão”, define Old Velho acerca de sua nova fase artística. Ele ainda acrescenta no atual trio onde cada um dos integrantes traz suas peculiaridades sonoras formando, assim, a "cara" da banda. “A essência é ‘faça com o que tem e faça você mesmo" pensando, curtindo e se divertindo”, conclui. O guitarrista Fabiano arremata: “São hell guys é sinônimo de liberdade criativa. Tem a cara de todos’, acredita.

Com previsão de lançamento em 2025, a São Hell Guys vem trabalhando com afinco em novíssimas canções (as letras passeiam por temas reflexivos referentes à atualidade, espiritualidade e mudança pessoal) que constarão no primeiro álbum do grupo. Deste repertório, quatro músicas já podem ser ouvidas nas plataformas digitais: “TDAH”, “Esperança Sombria”, “Roqueira” e “O Anjo Chora e o Demônio Sangra”. Todas as faixas contam com a produção em estúdio de Luti Nascimento.

"TDAH” é uma música que fala sobre esse distúrbio psíquico descoberto recentemente pela ciência. Traz em seus versos um toque de humor o qual retrata a falta de concentração que acomete seus portadores. Old Velho inspirou-se para escrever a letra em pessoas de seu convívio possuidoras de TDAH.

“Esperança Sombria” começa com uma balada falando sobre um homem que a mulher foi embora e está sofrendo por este motivo. Nas duas primeiras estrofes percebe-se que o personagem retratado na letra da canção tem esperanças que ela volte, porém, após uma virada pesada e o solo de guitarra é revelado que a mulher amada na verdade está morta, o que justifica o título.

“Roqueira” mais do que falar sobre o estilo musical em si é uma faixa em homenagem às mulheres de personalidade e força. Essa legítima punk song exalta as mulheres que a despeito dos séculos de opressão mantém intacto seu caráter buscando fazer aquilo que bem entendem sem submeterem-se a nada nem tampouco sujeitando-se a ser objeto de ninguém. A musa inspiradora de Old Velho para a música foi sua esposa.

De título épico, a canção “O Anjo Chora e o Demônio Sangra” ao contrário do que se possa imaginar não discorre em sua letra por uma temática sobrenatural. É ainda mais profundo que isso. Metaforicamente, na realidade, traz versos que propõem uma reflexão sobre atitudes e ações ruins justificadas por crenças e religiões. O refrão é um grito sobre o sofrimento de ver a falta de amor na humanidade que nos dias de hoje em detrimento dos antagônicos sentimentos de ódio e indiferença. “Trata-se de uma canção cuja intenção é mostrar que dentro de qualquer fé que propague intolerância, violência, soberba e indiferença com certeza está indo contra a divindade a qual se pretende cultuar”, filosofa Old Velho a respeito de “O Anjo Chora e o Demônio Sangra”.

Enquanto o aguardado debut discográfico da São Hell Guys não sai do forno (o que deve acontecer muito em breve), faço votos que vocês ouçam atentamente este quarteto de canções esmeradamente produzidas pela banda. E fiquem atentos para as “fonográficas cenas” as quais nos próximos capítulos farão desta pequena (até aqui) parte da história um musical e consistente todo.

Oxalá.

*Cristiano Bastos é jornalista e escritor. Com passagens por veículos de imprensa como as revistas Bizz e Rolling Stone, é autor de livros como 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho: Influências e Vertentes e Gauleses Irredutíveis. Também é autor das biografias Júpiter Maçã: A Efervescente Vida e Obra, Julio Reny - Histórias de Amor e Morte e Nelson Gonçalves: O Rei da Boemia.

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