Sobre
Colírio Elétrico e Raffaella Aureliano (Produtora Musical)
Onde o Som Perfuma o Olhar
Aqui vai o depoimento de uma pessoa que, (mesmo sendo suspeita por ser Produtora da Banda Colírio Elétrico) é privilegiada em conviver com essa musicalidade ímpar e esses senhores músicos, amáveis, comprometidos e apaixonados pela arte que produzem.
Não é um show.
É um sopro na atmosfera.
O horizonte se dobra para ouvir. No centro desse furacão, um Oboé corta o ar como uma serpente uma seda, costurando o peso elétrico da guitarra que ruge em cores cintilantes que se transmutam em transe coletivo. É o encontro do barroco com o asfalto líquido urbano e periférico.
A sonoridade se transforma em verdadeira força da natureza em sua expressão mais viva, a composição de Paulo, vocalista, é poética, de resistência, social e subliminar, um jogo literário convidando o público a uma expansão da consciência.
Enquanto o baixo e a bateria ditam o batimento de um coração que dedilha e batuca, não conhecendo o estado comum das notas e acordes, mas íntimos da manifestação do transe musical, o teclado derrama constelações sobre a plateia, brilhos, luzes, pirilampos, raios e a eletricidade na sua mais pura concepção.
Cada músico dança com seu instrumento e convida a uma viagem astral, experiência sensorial, embriagando a libertação do corpo e mente. Quando você acha que o chão é firme, o vocalista invoca o vento: a flauta transversal e as gaitas harmônicas abrem portais para as dimensões do blues, onde a lógica é proibida e a poesia e sonoridade é a única lei.
A Alquimia dos Sopros transformam o corpo humano em energia pura através de uma psicodelia orgânica que limpa a visão e embriaga o espírito. Um espetáculo que não se assiste, se habita, se pertence. O momento é sentir o chamado. Venha lavar os olhos com o som. Permita que a Colírio Elétrico dilate seu campo magnético até que você sinta a força astral.
